Músico o quê? Musicoterapia!

    Músico o quê? Musicoterapia!
    Musicoterapia

    Músico o quê? Musicoterapia!

    O que é, como funciona e por que a música impacta sua vida
    Simone Favarin Rödel
    Artigo escrito por especialista
    Simone Favarin Rödel
    Musicoterapeuta Neurológica (NMT 7095) | APEMESP nº 3-210305
    Graduada em Pedagogia, Música e Artes, com atuação em Musicoterapia e Neuroreabilitação, incluindo Musicoterapia plurimodal e Aba. Atualmente é estudante de Fonoaudiologia, ampliando sua formação interdisciplinar. Atua nos transtornos do neurodesenvolvimento, além de oferecer formação e capacitação para professores e terapeutas.

    Você já parou para pensar no quanto a música está presente na sua vida e no que ela realmente faz com você?

    Muitas pessoas têm dúvidas sobre a musicoterapia: o que é, quando surgiu, quem pode atuar na área, para quem é indicada, se é preciso saber tocar um instrumento, o que acontece no cérebro ao ouvir música, quais são seus benefícios e até seus possíveis malefícios.

    Este texto busca responder essas questões e ampliar o entendimento sobre esse campo.

    O que é musicoterapia

    De acordo com a União Brasileira das Associações de Musicoterapeutas (UBAM, 2018), a musicoterapia é um campo de conhecimento que estuda os efeitos da música e da utilização de experiências musicais a partir do encontro entre o musicoterapeuta e as pessoas atendidas.

    Sua prática tem como objetivo favorecer as possibilidades de existir e agir, tanto no trabalho individual quanto em grupos, comunidades e instituições, atuando na promoção, prevenção e reabilitação da saúde, além da transformação de contextos sociais.

    Como surgiu a musicoterapia

    A musicoterapia se consolidou após a Segunda Guerra Mundial, quando músicos passaram a tocar em hospitais para soldados feridos física e emocionalmente.

    Diante da escassez de recursos médicos, a música foi utilizada como forma de aliviar dor, ansiedade e sofrimento psíquico.

    Os resultados observados incluíam redução da dor, melhora do humor, relaxamento e estímulo à recuperação.

    Esses efeitos despertaram o interesse de médicos e pesquisadores, que passaram a estudar a música de forma sistemática no contexto terapêutico, dando origem à musicoterapia como prática clínica baseada em evidências.

    A musicoterapia no Brasil

    No Brasil, a área foi institucionalizada na década de 1970, com a criação de cursos de formação, como na Faculdade de Artes do Paraná e no Conservatório Brasileiro de Música.

    Esses marcos foram fundamentais para a consolidação da profissão no país.

    A musicoterapia é um campo interdisciplinar que integra arte, ciência e dimensão humana.

    Na arte, permite expressão emocional e criatividade; na ciência, baseia-se em evidências sobre os efeitos da música; e na dimensão humana, destaca-se pela relação entre musicoterapeuta, paciente e música.

    Quem pode atuar como musicoterapeuta

    O musicoterapeuta é um profissional com formação reconhecida pelo MEC e registro em órgão de representação da categoria.

    Ele realiza avaliações específicas, elabora planos terapêuticos e conduz o processo musicoterapêutico de forma individualizada.

    Esse profissional pode atuar em diversas áreas, como saúde, educação, contexto social e organizacional.

    Como funciona a prática

    O processo inicia com uma avaliação musicoterapêutica, que orienta a construção de um plano terapêutico individual.

    São utilizados instrumentos clínicos e a investigação da identidade sonoro-musical do paciente.

    Não é necessário saber tocar um instrumento musical para participar das sessões.

    O paciente é conduzido a vivenciar experiências musicais de forma acessível, respeitando suas necessidades e possibilidades.

    Áreas de atuação

    • Infância e adolescência: desenvolvimento, aprendizagem e interação social
    • Saúde mental: ansiedade, depressão e transtornos emocionais
    • Gerontologia: envelhecimento e estimulação cognitiva
    • Neuroreabilitação: funções motoras e cognitivas
    • Contexto hospitalar: manejo da dor e suporte emocional
    • Contexto organizacional: qualidade de vida no trabalho

    Música e memória

    A música está presente em toda a vida humana.

    Desde o período intrauterino até o fim da vida, ela acompanha o desenvolvimento e as experiências individuais.

    Um aspecto importante é que a música pode ser uma das últimas memórias a ser preservada em casos como o Alzheimer, possibilitando o acesso a lembranças por meio de recursos musicoterapêuticos.

    Como a música funciona no cérebro

    A música ativa múltiplas áreas do cérebro, como o córtex cerebral, a amígdala, o cerebelo e o hipocampo, responsáveis por funções cognitivas, emocionais, motoras e de memória.

    Embora existam diferenças entre os hemisférios cerebrais, seu funcionamento é integrado.

    A prática musical favorece essa integração, promovendo coordenação entre diferentes funções.

    Fazer música envolve percepção auditiva, atenção, memória, emoção e coordenação motora simultaneamente, sendo considerada uma das atividades mais completas para o cérebro humano.

    Além disso, a música estimula a neuroplasticidade, contribuindo para o desenvolvimento cognitivo, emocional e motor ao longo da vida.

    Benefícios da música

    • Cognitivos: melhora da atenção, memória e aprendizagem
    • Emocional: regulação emocional, redução de ansiedade e estresse
    • Físicos: melhora da coordenação e apoio na reabilitação
    • Neurológicos: ativação cerebral e estímulo à neuroplasticidade
    • Sociais: fortalecimento de vínculos e interação
    • Comportamentais: aumento da autorregulação e organização
    • Clínicos: auxílio no tratamento de diferentes condições

    Possíveis malefícios

    Apesar dos benefícios, a música também pode ter efeitos negativos quando utilizada sem direcionamento adequado:

    • Sobrecarga sensorial
    • Dependência emocional
    • Intensificação de estados negativos
    • Rigidez comportamental
    • Riscos auditivos
    • Estímulos inadequados
    • Influência de conteúdos
    A música pode tanto regular quanto desregular, dependendo de como, quando e por quem é utilizada.

    Como usar a música no dia a dia

    Envolva seu dia com músicas que promovam bem-estar

    Crie uma trilha sonora para sua rotina. A música pode modular seu humor e ajudar na regulação emocional ao longo do dia.

    Use músicas afetivas para momentos de tristeza

    Quando precisar se acolher, recorra a canções que marcaram sua infância ou adolescência. Elas ativam memórias afetivas e proporcionam conforto emocional.

    Permita-se explorar novos sons

    Sair do habitual estimula o cérebro, amplia repertório emocional e favorece novas conexões neurais.

    Escute com atenção plena

    Escolha uma música e concentre-se na letra. Perceba o que ela desperta em você — pensamentos, emoções, lembranças.

    Experimente músicas instrumentais

    Acompanhe mentalmente um instrumento. Esse exercício favorece foco, atenção e organização interna.

    Interaja com a música

    Use objetos do dia a dia para marcar o ritmo. Essa prática estimula coordenação motora, ritmo e expressão corporal.

    Cante sem julgamento

    Cantar libera emoções, reduz tensões e ativa áreas cerebrais relacionadas ao prazer — não é sobre técnica, é sobre expressão.

    Escuta profunda e consciente

    Coloque fones de ouvido, feche os olhos e escute sua música favorita até o final. Observe sua respiração, sensações corporais e emoções.

    Ouvir o silêncio

    Experimente ouvir o silêncio! Feche os olhos e permita-se desacelerar.

    Em um ambiente calmo e tranquilo, acomode o corpo de forma confortável, soltando as tensões pouco a pouco.

    Perceba a ausência de sons externos…e, então, comece a notar os sons internos: sua respiração, os batimentos do seu coração, os pequenos ruídos do corpo e do ambiente.

    O silêncio não é vazio. Ele é um espaço de escuta profunda.

    É nele que o sistema nervoso encontra pausa, que a mente desacelera, e que o corpo se reorganiza.

    O silêncio também é parte importante desse processo, sendo um espaço de escuta interna e reorganização.

    Para finalizar

    “Não ouvimos a música só com os ouvidos, ela ressoa no corpo inteiro, no cérebro e no coração.” Dalcroze

    Referências

    Gattino (2015); Levitin (2006); Koelsch (2014); Zatorre et al. (2007); Juslin & Västfjäll (2008); Garrido & Schubert (2015); Geretsegger et al. (2014); Patel (2008); World Health Organization (2015).

    Triagem M-CHAT

    Questionário de triagem para sinais de autismo em crianças de 16 a 30 meses.

    Rápido, gratuito e com resultado imediato.

    Iniciar Triagem

    Newsletter

    Receba artigos e novidades diretamente no seu email.

    Compartilhar

    Compartilhe este artigo:

    Artigos Relacionados

    Como Escolher a Melhor Escola para Seu Filho Autista

    Como Escolher a Melhor Escola para Seu Filho Autista

    Como escolher uma escola para uma criança autista Saúde e comportamento Como escolher uma…

    Diagnóstico Tardio: Descobrindo o Autismo na Vida Adulta

    Diagnóstico Tardio: Descobrindo o Autismo na Vida Adulta

    Diagnóstico tardio de autismo em adultos Saúde e comportamento Diagnóstico tardio de autismo em…

    Comunicação Alternativa: Guia Completo para Famílias — CAA para Crianças Autistas

    Comunicação Alternativa: Guia Completo para Famílias — CAA para Crianças Autistas

    Comunicação Alternativa: Guia Completo para Famílias – CAA para Crianças Autistas Saúde e comportamento…

    Aviso Médico Importante

    Este blog tem fins informativos e educacionais. As informações aqui presentes não substituem avaliação, diagnóstico ou tratamento médico profissional. Sempre consulte um profissional de saúde qualificado antes de tomar decisões sobre saúde ou tratamento.

    eyecontact
    lives shaped by autism

    Transformando vidas através de informação de qualidade sobre autismo e desenvolvimento infantil.

    Contato

    Redes Sociais

    © 2026 Eye Contact by Gadias. Todos os direitos reservados.